Programação em BH

BELO HORIZONTE

Usiminas Paragem
Sala 4: 17h; 21h30
 

CORPO em BH (estréia 17 de Outubro)

BELO HORIZONTE

Usiminas Paragem
Sala 4: 14h50; 17h; 19h; 21h
 

Semana de 26 de Setembro a 02 de Outubro

SÃO PAULO
Cine Segall
 

CURITIBA
Cineplex Batel

Semana de 20 a 27 de setembro de 2008

São Paulo

Cine Segall

 

CORPO em sua décima quinta semana

Porto Alegre
Cine Santander

CORPO em sua décima quarta semana

RECIFE
Cine Rosa e Silva

FLORIANÓPOLIS
Cine Sol da Terra

CORPO em sua décima terceira semana (22 a 28 de Agosto)

RECIFE
Cine Rosa e Silva

SÃO PAULO
HSBC Belas Artes

CORPO em sua décima segunda semana

RECIFE - Pré dia 16

Cine Rosa e Silva
Lançarão o filme no dia 22.
 
FERNANDÓPOLIS
Cine Fernandópolis
de 15 a 21 de Agosto
 

Corpo em sua décima primeira semana

SÃO PAULO
HSBC Belas Artes
Sala Mário de Andrade

RECIFE - Pré-estréia dia 16
Cine Rosa e Silva
 
FERNANDÓPOLIS - 15 agosto
Cine Fernandópolis
 

SÃO PAULO (estréia comercial)

Sobre a estréia, no dia 30 de maio, talvez eu reflita mais tarde, com mais tempo e vagar. Agora, no calor da hora, em sua sétima semana em cartaz, me deu vontade de compartilhar alguns e-mails que tenho recebido sobre o filme (alguns diretamente, outros indiretamente). Claro, é um corpus tendencioso, geralmente quem escreve é quem gostou, tem algo a dizer. Quem não gostou não vai se dar ao trabalho de escrever pra dizer que achou tudo uma merda. Simplesmente se cala, silencia. Mas mesmo assim, acho importante publicar essas mensagens. De um certo modo, o espírito e as questões do filme se encontram um pouco em cada espectador que o vê. Portanto, que eles tenham a palavra:

Gostei mais do Corpo que do último Indiana Jones IV. Sei que é difícil comparar. Os entendidos vão falar em gênero, em premissa. E eu vou falar como espectadora que sai de casa, compra um ingresso e vai ao cinema querendo muito gostar do que assiste.
E eu saí de casa querendo gostar do Indiana. É o tipo de filme que usa todas as fórmulas possíveis pra agradar ao público. A começar pelos filmes anteriores que são, mais do que qualquer coisa, uma propaganda a favor. Pois esse filme, fabricado pra me agradar, me irritou. E Corpo, que foi feito pra me provocar repulsa, incômodo e incertezas, apesar de tudo isso, me agradou. Sem seguir receitas, abrindo mão de causa-consequência, de verossimilhança, me agradou. Sem efeitos especiais mirabolantes, sem herói, sem manuais. Corpo me agradou pelo apuro técnico, pela direção inventiva, pelo roteiro longe do lugar comum. No fundo vi vários filmes no Corpo. Há diversas possibilidades de desdobramento de tramas.
Confesso que, ao contrário do que a mídia tem veiculado, não conclui que se trata de um filme que aborda o período do regime militar. Esse bem poderia ser um desdobramento forte. Assim como renderia também um bom roteiro a personagem que assume a identidade, a filha e a vida de outra. Ou o cara que atravessa a vida atravessando e esbarrando em corpos – concretos ou figurados (como as fotos na estação Sumaré, ou manequins no Bom Retiro, shows pornô no centro velho). Há muitos filmes/corpos no Corpo.
Há um só e repetido filme no Indiana. E há, paradoxalmente, muitos filmes porque Spielberg e Lucas já estão ficando auto referentes. No filme há citações do ET, dos Contatos Imediatos, de Guerra nas Estrelas, do Império do Sol. Vaidades. E acho que estou ficando velha, definitivamente. Não agüento mais a fórmula americanos bonzinhos versus estrangeiros mauzinhos. E se queria ressuscitar o personagem, Spielberg deveria criar um filho para ele e colocá-lo na aventura, ou seja, dar ao Indy uma comenda por serviços prestados e uma aposentadoria. Indiana poderia virar um consultor, no caso, espiritual. Estou cansada de efeitos de computador porque eles me fazem ficar mais interessada no making of do que no próprio filme, já que as cenas improváveis colocam a forma acima do conteúdo.
O novo Indiana é pouco inteligente. Não são as idéias e as conclusões que levam o filme para frente, mas a própria ação, as perseguições. As descobertas ocorrem meio ao acaso, fruto da mente perturbada de um personagem e não de exercício cerebral.
E no Corpo, se é ou não a mente “perturbada” do Arthur que nos leva, chega uma hora que não importa mais! Porque o filme desenvolveu uma lógica própria e, pelo menos para mim, não fez falta saber se aquilo estava acontecendo mesmo ou não. E essa “lógica” não foi conseguida apenas graças a direção e roteiro. Há a contribuição decisiva da fotografia e da edição – a tal unidade, em que não vemos as áreas brigando entre si e se contradizendo negativamente. Coisa que tinha de monte no Falsa Loira! E se alguns falam numa certa “pasteurização” das atuações do elenco, é possível identificar nisso uma opção. Os personagens são também corpos, manipulados e dissecados pela narração, sem a possibilidade de uma condução apaixonante ou (melo)dramática de sua vida.
Há elementos que me causam ruído. Não vejo porque mostrar a Lara beijando um cara no bar, ou urinando, ou sendo roubada, por exemplo. E, a certa altura, a voz em off é esquecida, pra retornar num comentário (sobre a degradação de Lara), a meu ver, também dispensável. Mas isso não importa. Consigo entender o porque dessas opções por parte da direção. Pode-se questionar o final que, para mim, fechou legal. Cada um lê o arremate de uma forma, e isso é extremamente positivo.
Puxa vida, Rubens e Rossana, que grande filme de estréia. Que empreitada perigosa. Parabéns pela ousadia de uma obra difícil de mastigar e de engolir. Um prato fora dos padrões a que estamos acostumados – e enjoados.
Adélia Nicolete

Rubens,
Fui ver o Corpo no Cine Ig. Parabéns pelo trabalho inteligente, muito bem escrito e realizado. Vocês abordam temas e assuntos fundamentais de forma muito original.
abraço ,
Aimar Labaki

Caros,
vocês já viram um filme brasileiro chamado Corpo? O Vladimir Safatle sugeriu que eu visse e fui na terça; é estranho, não 100% bom, como cinema, mas acho que tem que ser visto. Está no Belas Artes em um horário apenas, 21:30, dura 90 minutos. Tem a ver com a memória dos desaparecidos durante a ditadura, com uma leve referência ao que permanece ainda hoje, fiquei muuuuito tocada com tudo. Se vocês forem, a gente se fala na pizza. Beijos, Rita.
Maria Rita Kehl (enviado a mim por Noemi de Araujo)

Finalmente assisti ao seu filme na semana passada. Gostei muito. Estava enrolando para te parabenizar porque teria que tocar fatalmente no malcheiroso assunto “Cavaleiro”. Mas agora que o Rogério se manifestou, já não tenho por que retardar.
O seu filme me pareceu mesmo conter uma renovação temática, porque não é um filme focadamente nem social, nem político, nem exótico-tropical, nem regionalista. Mesmo o passado das ossadas não é dramatizado com a intenção de introduzir mártires na história. Com isso, o filme ficou muito mais universal. É uma ousadia que brasileiros se aventurem no terreno da reflexão sobre questões existenciais, fulcrais, de peso, que têm sido prerrogativa de franceses, alemães, italianos… Então acho que o seu filme aponta numa direção que seria alvissareira se se transformasse em tendência. E fazer um filme que se mantenha em pé sem recurso a nenhuma das fórmulas habituais do cinema nacional: sotaques exóticos, violência estetizada, comédia rasteira, denuncismo social, esquerdismo alfabético, etc. é bem difícil. Gosto também quando São Paulo aparece como um ambiente inóspito, um pouco opressivo, que incita seus habitantes à reflexão e à melancolia. Contraria a quase obrigatoriedade de que os brasileiros estejam sempre sambando e festejando. É a inclusão do Brasil no “espírito de época”. Achei que a fotografia, a atmosfera, a atuação, mantiveram uma agradável coerência com o tema, mostrando que o filme tinha uma direção. Além disso, gostaria de dizer que nada me incomodou que transparecesse que o filme era de um diretor inexperiente (em longas), e ainda que o baixo orçamento não prejudicou o filme. Isto é, olhando de fora, o projeto pareceu condizente com o orçamento. Mesmo com as três estrelinhas da Folha ajudando, o mais comum é que os números da bilheteria não sejam lá muito animadores para filmes nacionais, especialmente os que não contam com um esquema muito grande de marketing. Mas o meu palpite (deste expert no assunto) é de que o filme terá no exterior um público de TV e DVD interessado em algo incomum vindo do Brasil.

Caros Rossana e Rubens,
Enfim, vi “Corpo”. Saí do cinema ao mesmo tempo satisfeito e frustrado.
Satisfeito com a consciência de posse dos instrumentos narrativos que vocês demonstram, seja na construção dos planos-seqüência, seja na exploração de “temperaturas” comuns ao ambiente e à dramaturgia. Há uma bonita coesão de propostas e essa disposição para o intrincado, que não tem sido muito comum no nosso cinema (mesmo no melhor).
Por outro lado, acho que tudo isso vem cobrar seu preço no filme. A trama, que para vocês é complexa, pareceu-me confusa, artificialmente hiper-construída e encerrada dentro de uma redoma que não deixa o espectador chegar muito perto.
No aspecto da encenação, os diálogos muitas vezes me soaram teatrais (eu sei que vocês não buscavam nenhum tipo de naturalismo, mas é que a aderência natural do cinema cria uma distância esquisita quando as coisas são ditas com certa solenidade e “importância”). Em alguns casos, me incomodou a divisão estranha de frases (principalmente com a Cris Couto), traindo um tom de coisa decorada, entendem?
Também não encontrei os ecos da ditadura no presente, como era a intenção. Ou seja, os enunciados estão lá, mas não a emoção plausível.
Resumindo, fiquei com a sensação de estar vendo um exercício extremamente bem pensado e calculado, mas sem a entrega e a visceralidade que o tema sugeriam.
Enfim, essas foram as impressões de uma primeira visão, deixadas aqui com certa ligeireza, mas com a máxima honestidade.
Um grande abraço,
Carlos  Alberto Mattos
Adorei o filme de vocês!!! Todos vocês foram (Rubens e Eiti) e estão (Léo, Rê e Cris Couto) maravilhosos!!! Nossa! Eu, Kao e minha cunhada saímos do filme e depois de duas horas, enquanto acabávamos de comer, ainda falávamos sobre vocês, sobre a escolha do argumento e etc.
Meninos, esse e-mail é só pra dizer que adoramos e Parabénsssssssssssssssssssss!!!!
Renata Jesion

CORPO
As dicagações quase esquizofrênicas do protagonista nos direcionam a uma relação doentia do ser e estar.
Personagem patético e apático chega a nos causar uma ira insana da impotência humana.
História triste da impunidade vivida, cicatrizes profundas por quem caminhou em valas rasas.
Tormento. Passos largos em direção ao nada.
Arte Moderna em corpos nus que remetem a Tunga. Lirismo, profano.
O que dizer do emaranhado sinistro quebra-cabeça de ossos sem fim, que conta histórias que ninguém quer ouvir a não ser os seus pares afins.

Monica Albano


Rubens/Rossana,
Ontem vi o filme em Milano. Gostei muito. É cinema! (isso é o melhor dos elogios).
Claudio Barbuto